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sábado, 21 de março de 2009

Leia depoimentos de 10 artistas sobre Cássia Eller




Na epoca que ela morreu eu não liguei muito...agora estou vendo como ela faz


falta nesse mundo...





Zélia Duncan:"Eu soube da morte de Cássia Eller quando estava em um ensaio. Foi difícil achar a porta de saída do estúdio. Não sei como uma pessoa que trazia tanta vida a música pode ir embora assim. Vai ser difícil para todos nós absorver sua morte. Nos conhecemos em Brasília e éramos muito amigas. Uma podia contar com a outra. Cássia era uma pessoa muito generosa, doce, amava todos os seus amigos. Não podemos julgar a causa de sua morte. O importante agora é oferecer conforto para a família, para o seu filho e para sua companheira. Da vida pessoal de Cássia, só podemos chorar. Sua morte deixa muita dor e um vazio muito grande"



Nando Reis:"Não dá para traçar um paralelo dessas coincidências assombrosas da vida. Vou sentir muita falta de ela não poder mais estar com a gente. Uma característica que faz de um cantor um grande cantor é tomar para si as músicas como se fossem dele. Ela tinha essa intensidade. A característica explosiva dentro dela é rara. Patética é a morte. A intensidade e a qualidade das coisas que nós fizemos juntos tinham um aspecto genuíno de expressão artística. É difícil entender a morte. Foi posto um ponto final nisso"




Djavan:"Era uma pessoa doce, talentosa, maravilhosa, inteligente. Foi uma grande perda. Ela era ácida e meiga ao mesmo tempo e essa dualidade fazia dela uma pessoa diferente".



Jerry Adriani:"Sou um grande fã de Cássia Eller. Perdemos o nome de maior peso do rock feminino nacional. Me aproximei dela porque nós dois gostávamos de tocar Legião Urbana. Sempre que nos encontrávamos, ela me tratava com muito carinho. Eu iria convidá-la para participar do meu próximo CD. Mesmo não estando presente fisicamente, vou reservar uma faixa do CD para homenageá-la. Ela tinha atitude no rock, aquela rebeldia que cativa os jovens. Cássia era maravilhosa"










Adriana Calcanhotto:"Cantamos juntas duas vezes e foi maravilhoso. Espero que ela seja lembrada como a artista especial que foi. Ela foi uma pessoa importante, não só para o rock, mas para a música brasileira como um todo. Ela vai fazer muita falta"



João Viana (baterista da banda de Cássia Eller):"Para a gente da banda, ela era acima de tudo uma grandíssima amiga. Uma das maiores cantoras do Brasil, se não fosse a maior"





Agnaldo Timóteo: "Ela era como a Elis Regina"











Rita Lee, cantora:"Ontem mesmo estava revendo o 'Acústico MTV' de Cássia e não consegui tirar os olhos dela... Em janeiro, nós iríamos dividir um show em Recife. A morte dela foi um choque e tanto, preciso de um tempo para aceitar o que aconteceu."







Edson Cordeiro, cantor:"Ela fez parte da minha vida. Eu comecei com ela junto e a gente cantou aquele dueto que mudou a minha vida. Ela colocou dentro da minha voz a voz dela, que era a parte que faltava na minha. Agora vai ser difícil... essa parte não existe mais. Ela mudou a sonoridade da cantora brasileira. Foi a primeira cantora que chegou com uma voz que não existia. Todo mundo é muito parecido, ela é a única que não é parecida com nada. Teve coragem de se assumir, de ter uma postura que ninguém teve. É muito difícil, é muito difícil entender isso agora."



Oswaldo Montenegro, cantor:"Cássia, além de extremamente talentosa e sensível, era uma espécie de redenção. Ela conseguiu fazer com que uma personalidade marcante não se restringisse a gueto algum e, ao mesmo tempo, o representasse. Foi uma coisa linda que uma pessoa que tivesse total vinculação com a idéia corajosa de estar num seguimento, conseguisse atingir todas as áreas. É uma pessoa que tinha uma postura extremamente ácida. Dentro dessa acidez vinha uma doçura imensa, que era filha da sinceridade dela. E essa doçura imensa jamais se transformava numa coisa excessivamente açucarada. Esse é um poder que aquela menina tinha, que vinha de uma força, de uma sinceridade que jamais a música brasileira vai conseguir substituir. Daí ela conseguir que todos os segmentos a admirassem, sem que ela tivesse que fazer concessões para isso. Ela não cortejou nada nem ninguém e conseguiu ser aceita. Significa que a força de uma personalidade é aceita porque o que as pessoas querem mesmo é verdade e sinceridade. E foi isso que ela deu durante uma vida linda para a gente."
Bjus gente... *.*

terça-feira, 17 de março de 2009

Cassia Rejane Eller


Não cheguei a conhecer o trabalho dela,porque era munto nova na epoca que ela morreu((tinha 11 anos))... mais lembro como se fosse hj...eu na casa da minha avó,vendo TV..de repende o Bonner fala.."Morre aos 39 anos a cantora Cassia Eller..."
sabia quem era...mais nem liguei.Só ouvi o comentario no fundo.."Olha...a sapatão morreu!"
E eu so pensei..."Sera que nem morta param de falar isso dela?" Coitada de mim...só depois fui ver como a vida de assumida é dificil...




Cássia Rejane Eller nasceu no Rio de Janeiro, em 10 de dezembro de 1962. Foi criada entre músicos (familia da mâe). O pai, militar, foi responsável por constantes mudanças de endereço. Daí vem a mistura de culturas, ritmos, estilos que a cantora Cássia mantém em sua obra. Aos 6 anos, Cássia mudou-se com a família para Belo Horizonte. Aos 10, mudava-se novamente, desta vez para Santarém, no Pará. Quando tinha 12 anos, estava de volta ao Rio. Com 18, outra mudança, foi morar em Brasília. Cássia Eller já estava certa do que queria na vida, cantar era tudo o que importava. Na verdade, a história musical da cantora começou bem antes. Aos 14 anos e ganhou um violão de presente. Nessa época os Beatles eram uma das mais fortes influencias para Cássia. Em Brasília fez de tudo para estar sempre nos palcos. Cantava em coral, fazia testes pra musicais, trabalhou em duas óperas como corista e, em 1981, participou de um espetáculo de Oswaldo Montenegro. Cantou também em um grupo de forró e participou do primeiro trio-elétrico do planalto, o Massa Real, onde cantou durante dois anos. Então mais uma referência juntou-se às já adquiridas pela cantora: a música baiana. Inclusive a instrumental, que Cássia confessa não ter notado antes. Escola nunca foi o forte de Cássia, que não terminou o segundo grau. Sua grande meta era poder cantar o tempo todo. Tentou até estudar canto para se tornar cantora de ópera. Mas a rigidez e disciplina que esse tipo de trabalho exige acabaram por afastar Cássia da música clássica. Foi a partir de 1989 que Cássia começou seu trajeto pelo mundo do disco. Em São Paulo, ela gravou uma fita demo, apoiada pelo tio, que foi seu primeiro empresário. Ele que levou a fita para uma audição na gravadora Polygram. Nesta fita estava gravada a música que viria a ser o primeiro sucesso na voz de Cássia, a música "Por Enquanto", de Renato Russo. Veio então o contrato com a gravadora e o primeiro disco, lançado em 1990. Depois disso, Cássia não parou mais. Foram seis discos gravados. vários sucessos e uma personalidade inconfundível, que mistura sua timidez latente à rebeldia quase adolescente. Cássia não gosta de pensar em metas para o futuro. Não planeja novos trabalhos nem se preocupa com conceitos. Queria estar no palco o tempo todo e produzir muitas canções. Aos 36 anos, ela ainda era a mesma garota que tocava Beatles aos 14.

Eu não sabia bem quem era essa tal de “garotinha”,até o dia que ela morreu..e principalmente…depois que li como foi esse dia…simplismente me cortou o coração.Imaginei todas sas cenas e todo o sofrimento que ela passou.

Cássia Eller, de 39 anos, a melhor cantora pop do Brasil, morreu em sofrimento. Em suas últimas horas de vida, sentiu dores, desespero e medo e teve intensas crises de choro. No sábado 29 de dezembro, quando chegou à clínica Santa Maria, na Zona Sul do Rio de Janeiro, vinha de uma noite difícil. Vestia calça jeans e uma camiseta vermelha e estava em péssimas condições físicas. Abatida, apresentava voz pastosa e uma indisfarçável confusão mental. Tinha os olhos vermelhos e inchados e chorava muito. No caminho para a clínica, queixara-se de fortes dores na barriga e no peito e chegou a vomitar. Na sexta-feira passada, VEJA teve acesso, com exclusividade, ao laudo preliminar do Instituto Médico-Legal do Rio e aos depoimentos prestados à polícia. O laudo não é conclusivo sobre a ação de alguma droga ilegal nos últimos momentos da vida de Cássia Eller. Só o exame toxicológico das vísceras vai dar a palavra final. Mas funcionários do IML garantem que as análises preliminares apontam para um quadro sugestivo do uso de drogas. O relato de Ronaldo Villas, empresário de Cássia, reforça o drama vivido pela cantora, cuja agonia começou dias antes. Ela tinha passado o Natal em Brasília com a família e já dava sinais de que não estava bem. No dia 26, “teve um ataque de nervos e quebrou uma porta de vidro”. Por isso voltou ao Rio para ensaiar o show que daria na noite de réveillon com o hematoma na testa e os arranhões nas coxas que tinha ao dar entrada na clínica.
Entre os que acompanhavam de perto sua luta para se livrar da dependência de drogas, havia a preocupação com uma recaída. O temor aumentou durante um ensaio com sua banda na tarde de sexta-feira, num estúdio na Tijuca, na Zona Norte. Mal-humorada, Cássia estava indócil, agitada. A certa altura, abriu uma garrafa de cerveja. Criou-se um mal-estar. As seis horas de ensaio foram um suplício para os músicos, que também sentiam a carga dos 95 shows que fizeram entre maio e dezembro em todo o país. “O ensaio não rendeu, o cansaço pesou”, conta o baterista João Viana, integrante da banda de Cássia há três anos. Apesar do clima ruim, a cantora ficou até o final e foi para casa acompanhada da percussionista Elaine Moreira, a Lan Lan. A essa altura, já era evidente que havia algo errado. Mas, segundo a versão de Lan Lan, Cássia preferiu passar a noite sozinha, depois de quebrar os telefones fixos.
“Eu não achava que precisava cheirar para cantar, mas ia de onda, tinha bastante e sempre mandava uma. Era o frisson da galera, todo mundo ia.”
“Fumei meu primeiro baseado aos 20 anos, cocaína foi com 25. Resisti por muito tempo, mas quando comecei a cantar foi uma perdição total. Cantava em dois bares, ganhava umas drogas de presente.”
Divulgação
“Eu embalava dois, três dias sem parar. Aí deu um clique, fiquei pirada com a história. Meu problema hoje é que bebo, entorno uma cana. Eu gosto de birita.”
“Adoro ser mulher. É que brinco com o comportamento das pessoas, gosto do machismo. Adoro imitar bofe! Passa uma mulher e eu falo ‘Gostosa’, ou então coço o saco. Não sou de pegar menina assim, mas às vezes falo só para sacanear: ‘E aí, gata?’”
“Sou espada.”
De manhã, começou a última e mais terrível parte do drama de Cássia Eller. Logo cedo, ela ligou do celular para Lan Lan pedindo ajuda. A percussionista chegou de carro ao apartamento da cantora, acompanhada pela amiga e companheira de banda Thamyma Brasil. As duas decidiram levar Cássia para dar uma volta de carro, ainda segundo a versão de Lan Lan. No meio do caminho, a cantora começou a se desesperar, com fortes dores e vômitos, e foi levada para a clínica Santa Maria, um hospital pequeno e modesto, distante cerca de 2 quilômetros de sua casa. Chegou por volta do meio-dia e topou com a sala de espera cheia. Assustada, recusou-se a entrar e voltou correndo para o carro. A vizinhança acompanhava das janelas seu choro convulsivo. O médico Marcelo Heringer, 31 anos, um dos sócios da clínica, tirou o jaleco e foi tentar convencê-la a voltar. Sentaram-se na calçada. Cássia, enfim, aceitou entrar no hospital.
A cantora foi submetida a um eletrocardiograma, que não mostrou anormalidade. Já a contagem de enzimas, um exame de sangue que detecta a morte de tecido muscular cardíaco, apresentou pequena alteração. Às 13h30, quando ainda estava em observação, Cássia teve a primeira parada cardíaca e iniciou uma luta pela vida que só terminaria às 19h05. O atendimento que recebeu seguiu o padrão utilizado nos casos de intoxicação por drogas em doses acima do suportável pelo organismo, a chamada overdose. Os médicos ministraram atropina, lidocaína e bicarbonato de sódio. Pela ordem, esses medicamentos servem para recuperar os batimentos cardíacos, normalizar o ritmo do coração e manter em níveis adequados algumas substâncias que regulam o pH do sangue. Por volta das 16h30, quando estava sendo preparada para se submeter a um ecocardiograma, a cantora teve a segunda parada cardíaca.
O que se seguiu foi um horror. Toda a equipe médica, a essa altura formada por dez pessoas, espremeu-se em um dos boxes do CTI da clínica, num espaço de não mais de 10 metros quadrados. Por 25 minutos, os profissionais revezaram-se no esforço de fazer o coração da cantora voltar a funcionar. Fizeram massagens cardíacas, deram choques e ministraram novos medicamentos. Foi um período longo demais para uma pessoa da idade de Cássia. Com quase meia hora de parada cardíaca, o coração entra em sofrimento e praticamente não há esperança de reversão do quadro. Tecnicamente, não se podia fazer mais nada. Cássia, porém, mais uma vez resistiu. Naquele momento, os médicos já haviam constatado uma obstrução arterial no braço esquerdo da cantora. Das três artérias, apenas uma funcionava – mesmo assim, de maneira sofrível. Se ela sobrevivesse, provavelmente teria seqüelas naquele braço. A situação era tão delicada que um angiologista (especialista em sistema vascular) foi chamado, mas não houve tempo. Às 7 da noite a cantora sofreu a terceira e última parada cardíaca.
A reconstituição dos passos dos médicos e a descrição do comportamento de Cássia – voz pastosa e aparente confusão mental – reforçam a suspeita de que ela foi vítima de uma overdose de cocaína misturada a álcool e medicamentos. Essa foi a hipótese levantada pelo médico Rafael Luna, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que chegou à clínica pouco antes da segunda parada cardíaca de Cássia, chamado pelo empresário da cantora, Ronaldo Villas. Em seu depoimento à polícia, Luna sustenta essa possibilidade. São fortes os indícios de que ela vinha se injetando drogas. O braço esquerdo apresentava sinais de enrijecimento devido a um processo de cicatrização de picadas antigas e trazia marcas de picadas novas. A dose letal pegou a cantora justamente quando ela vivia o melhor momento da carreira, aliando o reconhecimento da crítica e a adoração do público a um faturamento que chegava a 70.000 reais por mês.
Cássia Eller nunca escondeu que era usuária de drogas. Sua preferida era a cocaína, que consumiu durante mais de dez anos. Numa de suas últimas entrevistas, concedida à revista IstoÉ Gente menos de duas semanas antes de sua morte, a cantora abordou o assunto. “Eu cheirava muita cocaína. Parei total, graças a Deus. Fiquei um tempo sem beber também, e isso me fez bem. Não foi nem exatamente por causa do Chicão que parei, meu corpo não estava mais agüentando. Durante a gravidez parei porque, milagrosamente, enjoei de cigarro, café, maconha, de tudo. Cocaína, então, lógico. Não ia fazer uma coisa dessas. Aí o Chicão nasceu, amamentei e depois caí de novo na farra.” Cássia contou também que resolveu largar o vício apenas em 1999, quando entrou num spa para desintoxicação. “Naquela época, eu embalava três dias seguidos. Meu corpo não estava agüentando mais.” A cantora saiu da clínica pensando estar livre da cocaína. Disse na mesma entrevista que se considerava curada da dependência da droga e que seu único vício, agora, era o álcool. “Eu gosto de birita”, declarou, ignorando que um dependente químico não pode beber. Embora tímida, sempre foi franca. Achava que havia muita hipocrisia no meio musical em relação ao assunto drogas. A substituta de Rita Lee no papel de roqueira número 1 do Brasil considerava que os artistas deveriam tratar do assunto sem falsidades nem tabus. Bem no alvo. Mortes por overdose de artistas nos Estados Unidos e na Inglaterra são seguidas de discussões honestas sobre seu estilo de vida. Ninguém tenta esconder as circunstâncias das mortes, e os exemplos são freqüentemente citados pelos próprios artistas como alerta para o fato de que as drogas realmente matam. Grandes astros da música pop morreram por consumo excessivo de drogas. Jimi Hendrix, o maior guitarrista da história do rock, intoxicou-se com uma mistura de barbitúricos e álcool, em 1970. A cantora Janis Joplin, um dos modelos de Cássia Eller, morreu de overdose de heroína, mais ou menos na mesma época em que Hendrix teve sua carreira encerrada precocemente.